Talvez o sonho não acabe quando abrirmos os olhos ao levantar. Talvez seja um pesadelo curioso, daqueles que, mesmo assustando, nos leve a caminhos tentadores…
Eu seria uma tola se não acreditasse em contos de fadas. Sentir o vento soprando por entre a janela e a porta do banheiro da Tati à tarde é acreditar na magia geometrizada pelos arquitetos. E o sopro suaviza em mim a desesperança. A mesma desesperança esperançada ao tomar um copo de suco tang com gelo. Não é a marca que importa; é o fluxo das temperaturas que se fundem e se transformam, e se unificam.
Na televisão, as imagens desformam a realidade. Os sets de gravação são charmosos, nos reduzem a personagens com sentidos e sentimentos fechados e amplificam estes dos que nos assistem. Ser atriz é minha vida. Ser, por um triz, o que sou sem ser eu, sendo.
Amar.
Viver.
Sonhar.
Acordar e acreditar que Bia, Marli, Aleide, Secreta, Musa, poeta, escritora, arquiteta, artesã podem se concretizar todos os dias em virtude do traço e do tato das mãos que não são.
