Loucura

January 19, 2009

Loucura, acerca dos que ambicionam uma fama imortal publicando livros.

"Todos esses escritores têm parentesco comigo, sobretudo os que só publicam coisas insípidas. Quanto aos autores que só escrevem para poucos, isto é, para pessoas de fino gosto e perspicazes, que não merecem mais compaixão do que inveja. Imersos numa contínua meditação, pensam, tornam a pensar, acrescentam, emendam, cortam, tornam a pôr, burilam, refundem, fazem, riscam, consultam, e nesse trabalho levam às vezes nove e dez anos, de acordo com o preceito de Horácio, antes de o manuscrito ser impresso. Oh! como me causam piedade tais escritores! Nunca estando satisfeitos com o seu trabalho, que recompensa podem esperar? Ai de mim! um pouco de incenso, um reduzido número de leitores, um louvor incerto. mas respondei-me francamente: compensarão essas tênues bagatelas o sacrifício do sono, mais doce do que tudo, da tranquilidade, dos prazeres, numa palavra, todas as doçuras da vida? É preciso acrescentar ainda que estes sonhadores que andam em busca da imortalidade arruinam a saúde, tornam-se pálidos, magros, remelentos e, às vezes, até cegos. São sempre miseráveis, invejados, não têm prazer algum e, como resultado, só conseguem apressar a velhice e a própria morte. Malgrado tudo isso, o nosso sábio considera suficiente, como remédio a tantos males, a aprovação de um ou dois remelentos de sua espécie".

Estava preparando num papel estas palavras, e também uma explicação sobre a influência da loucura no Ego desses escritores - e também de toda a humanidade -, quando, junto à tempestade que caía fora de minha janela, um raio atingiu meu quarto, numa velocidade incrível, rente a minha pele. A luz fizera com que eu gritasse: "Mãããe!" e ela, da cozinha, o meu nome. segundos depois, um cheiro de queimado inundava minhas narinas. O computador queimara. História verídica.

Assustada, termino aqui mesmo estas palavras.

Fiquem com o trecho de Erasmo e a minha história.