trasformazione e cambiamento
A poesia de outros tempos é morta. No cintilar do prata que agora habita a mão escultural trancada na porta invisível do meu armário, tem-se o mapa para toda uma memória em sépia, perfumada em breves oscilações entre aroma de desodorante e naftalina. As leves pinceladas de outrora conferem um ar melancólico ao toca-discos que chora as notas tênues e já ilegíveis e inatingíveis de uma lúgubre estória.
Retiro alguns livros da última prateleira da segunda porta.
Chuvas de arabescos e palavras e poesias reinauguram o espaço interno em que sobreviveram os escombros dessa face de vida.
E, sem querer, descubro duas pedras distintas entre o ar e o infinito…
Mudanças requerem tirar o pó e as tralhas do armário. E de lá não saem apenas roupas ou o que guardamos atrás daquelas portas de madeira envelhecida. Saem traças, mariposas, sentimentalismos vários, recordações, poucas e consistentes lágrimas, alguns sorrisos, alguma doce apreciação. Saem também magias e medos, escuro, solidão.
…Começo a enchergar um pequeno feixe de luz por detrás de um estreito labiríno ao passar daquela curva.
Onde dará esta ilusão certeira?
Onde guardar tanta bagagem?
