Encontro às avessas
Sem me tocar, ao reconhecê-lo, não o cumprimentei. Talvez por pensar "ah, ele não irá lembrar de mim…" ou por sei lá que desculpas dar. O fato é que não o fiz. E isso foge a minha personalidade.
Abel Matos é autor de Outras Cadeias A Cadeia e Crônica de uma Cidade Santificada, ambos os livros comprados por mim numa palestra do curso de teatro Jurisdrama. O primeiro livro está em minhas mãos no exato momento, e não é difícil acreditar que o homem - professor de Português e Literatura da UFRJ - possua olhos tão vazios e distantes quanto os sentimentos por ele vivenciados em seu período de lecionamento através das grades de Bangu III. Que a expressão cansada em seu frontispício seja reflexo de tantas contradições filosóficas adquiridas com a frieza do concreto e do aço aprisionador. Que o seu tamanho diminuto seja, quem sabe, a imagem da opressão do cárcere, e das situações um tanto quanto atípicas para um civil qualquer.
Ainda inconformo-me de não ter cumprimentado o sujeito que assinou "Núbia lembra leveza e carinho. Por isso e mais, a minha admiração", em um dos dois volumes citados.
Peço desculpas, caro educador de palavras tão refinadas.
(CCBB, 10 de abril de 2008)
(:Ascoltatevi!-> "O Tempo não Pára" (Cazuza)
