Enfim, liberdade

March 28, 2008

" Vou parabenizar o Zé. Se em três dias ele te deixou deste jeito, imagina o que não fará em um maior tempo!" - confidenciou-me minha produtora hoje pela manhã.

Há tempos não me sentia assim. A proximidade de uma certa data, em tempos passados, atormentava-me de um jeito que impedia-me de pensar em mim. Este ano, no período que vai das 5:30h às 00:00h(hora ativa do meu dia), nem sequer um minuto, o motivo opressor passou pela minha cabeça. Foi só pelas 5:30h da aurora de hoje, que me dei conta:

- Expirou o prazo da minha provisória de motorista.

E como um fantasma de mil anos adormecido - desses que, por tanta falta de uso, desaprendem a assustar - o dia de fim de março desintegrou-se diante do meu olhar ainda sonolento.

Não deu em nada. Aliás, nunca me senti tão radiante.

(Claro que Zé é parte importante da história. Mas o fato de eu ser mais carioca, a cada dia, e mais atriz, a cada dia, e mais feliz, a cada dia, e mais eu mesma, a cada dia, simplesmente, fez com que as lástimas da semana - as 2h de espera na rodoviária na serra, seguida da fila quilométrica para o táxi a 1h da manhã, em Niterói - domingo de páscoa - o sentar desesperado no meio-fio do Projac - segunda -, a perda do celular no ônibus da 1001 - terça -, a chuva e o atraso para o trabalho - quarta - transfigurassem-se em acordar às 9h na quinta, fechar atuação e produção de peça, na quinta, encontrasse e permanecesse com Zé no engarrafamento de mais de 2h na Avenida Brasil, na quinta, passeasse com Zé em Niterói, na quinta, e começasse projetos de faculdade, na quinta - sem contar a proposta de trabalho arquitetônica, mas esta sai do contexto, foi feita na terça-feira. Nunca fui tão sinceramente feliz em toda a vida).