Parênteses
(Em função de férias, a parte II do "intrigações" será publicada posteriormente).
Imagine você, sendo agnóstico. Agora, imagine você sendo um principiante estudante de arquitetura.
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Toda a Igreja - ou templo religioso - gera fascínio em sua estrutura e decoração (para os estudantes desse ramo, é claro). Imagine agora você, tendo a oportunidade de presenciar uma cerimônia qualquer na Candelária. A ocasião, no meu caso, foi uma Missa em Ação de Graças aos Formandos do Curso de Odontologia da Universidade Gama Filho. A imponência da Igreja em toda a sua decoração de mármore, com vitrais alemães, colunas coríntias, pinturas e painéis que contam a história da própria Igreja, deixou que, em meio a cerimônia, turistas adentrassem o local e atirassem flashes para todos os lados. Uma verdadeira emoção turística, como a sensação de existir, ali, um museu em movimento.
Não falei que na folha de rosto do panfleto do Rito religioso vinha a expressão-título "Missa Ecumênica". Até o sermão do padre (que tinha a arte de transformar simples palavras como "formandos" em um interessantíssimo For - man - do - s), ninguém tinha se chateado ou questionado tais palavras. Foi quando o mesmo padre duplicou o sentido de seu sermão: disse que para ser uma cerimônia ecumênica, ali deveria estar um pastor ao seu lado, e que a culpa era dos formandos. Tudo bem, ele parecia estar naqueles dias. Relevamos. Ele reclamou da ordem dos rituais, os formandos não haviam consultado a Igreja. Também relevamos, apesar de já estar sendo criado um clima nada agradável para todos os convidados, que vinham "dar graças ao sucesso obtido por aqueles 48 alunos". Foi quando chegou a hora da comunhão.
"Agora que eu percebi que isto não é uma missa" - disse o padre - "Não há Vinho, hóstia, água…". A culpa, meus senhores, claro, era dos formandos. Esta Igreja histórica não tem padre e, portanto, tudo recai sobre os formandos, aqueles que alugaram o templo e que celebravam a nova etapa de suas vidas - pós e mercado de trabalho.
