Racconti del PAN - I Grandi e l’appuntamento incredibile
A rotina Panamericana mudou o Rio e o meu eu interior. Digamos de imediato que estou mais sagaz. Minto (ou ouso aqui um termo de muita modéstia); estou virando carioca, e das ‘’da gema". Numa dessas minhas aventuras pela Barra da Tijuca, pensando em meus grandes e saudosos amigos, deparei-me com um real e palpável encontro de Grandes:por detrás do Barra Shopping, ali, onde os estrangeiros são despachados (em termos PAN, de frente a UAC), lançando-se dos mais incríveis sinais para fazerem-se entender no meio de incapacitados brasileiros, duas imensas figuras estão unidas, lado a lado, sob um pedestal de metal. Luís Carlos Prestes e João Cabral de Melo Neto. Dois que entraram e mudaram a história; dois que tornaram-se ruas, postumamente.
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Ali, sob a sombra das árvores em virtude do transparecer da noite pelos postes públicos, ali, naquele shuttle amarelo em meio a tão distintas culturas, deixei-me transcorrer por aquelas ruas, indo e voltando ao ponto de união. Duas figuras marcantes em minha vida… Lembranças de pura nostalgia…
Pensei nas árvores… Pensei no tempo… E se houvesse um relógio em meu pulso, pensaria nas horas. Mas não; o celular estava dentro da polchete gris, unido à máquina de tirar retratos. Na calada da noite, num Rio de Janeiro mascarado por uma segurança talvez passageira, não era recomendado abri-la. Deixei quieto. Resolvi pensar na vida e em como seriam meus caminhos sem a presença maciça daqueles que tanto me confortam o peito. Tive vontade de chorar quando alusões musicais vieram-me a mente. Fui forte.
Numa outra ocasião, também shuttleiando pelo trajeto ZIV-ALV, uma companhia obscura veio pousar em minha janela. Para aqueles que acompanham o Blog, era ela, a temida e apavorante falena, a velha borboleta velha de meus pesadelos. Ela rodara o ônibus e parara ali, justo ao meu lado, cinzenta e feia, como só as mariposas sabem ser. Parece que apreciava o trajeto, enquanto eu me encolhia disfarçadamente em meio ao tumulto de felizes jamaicanos. Não faria a mínima diferença se aquele veículo estivesse vazio. A simples presença do motorista deixaria-me encabulada. Além disso, o manual do voluntariado dizia que deveríamos nos comportar enquanto de uniforme. Rendia-me. Não poderia escapar.
Durante aqueles quase quarenta minutos, pude notar que, embora de aparência asquerosa, o pequeno gigante animal não me intimidava tanto. Não me atrevi a tocá-lo, ora, isso seria demais. Mas entreguei-me ao prazer do deleite.
Não me enamorei pela tal criatura. Não seria capaz de deixar-me ser pescada novamente. Mas já não havia temor em meus olhos. Receio, de certo. Mas esse também não era assaz.
A Alvorada chegava e com ela o próximo ônibus a ser tomado. Não despedi-me. Não era preciso.
A mariposa acompanhou-me até a porta do Extensão Metrô e se foi, não pelos jardins, mas pelo citadino e nada fantasioso asfalto.




