Arte

November 19, 2008

Comparações I: Vênus, Olympia, Modelo - releituras

Vênus Adormecida - Giorgione Vênus Adormecida, Giorgione - Maneirísmo

Vênus de Urbino - Ticiano Vênus de Urbino, Ticiano Maneirísmo

Olympia, ManetOlympia, Manet

para ver a imagem, entre no site indicado no texto

 

 

 

 

 

http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?tc=1&origem=&id=2092783

DETALHE DETALHE repetido em todas as imagens

O nu artístico é herança clássica. No maneirísmo, por exemplo, temos a imagem de Vênus, idelizada por diferentes pintores, porém sempre trazendo semelhanças. A Vênus Adormecida de Giorgione, por exemplo, tem algo também presente na Vênus de Urbino de Ticiano. Fazendo uma comparação com uma obra recente, temos a impressão, em uma breve leitura,de que Olympia de Manet assemelha-se a ambas as obras. Porém, ao analizarmo-na, percebemos que a imagem, aqui, perde a idealização das primeiras, aproximando-se da realidade do espectador. Embora carregada de um sentido de releitura das pinturas anteriores, ela assemelha-se a realidade de uma modelo (como a fotografia aqui mostrada), apenas, ou de uma simples prostituta. No detalhe, pode-se perceber o item de repetição.

(:Ascoltatevi!–> Pássaros (Los Hermanos)

Alface

November 8, 2008

Procurando arquivos antigos, encontrei este ensaio. Achei divertido.

divertitivi!

Pediram-me para escrever sobre o fato de estarmos secando folhas de alface. Em minutos insanos, borrões de nanquim azul surgiram sob o amarelado tom da primeira folha do bloco de anotações da cozinha, revelando-se um absurdo faceto. Após as primeiras críticas, segue o texto.

 

 

 

Críticas:

 

 

 

-          “Tá bonito e profundo… Mas não fala sobre alface!”

 

-          “Minha geladeira, vazia?!?” (“Não, mãe, é para torná-lo romântico…”)

 

-          “Não tem paladar?! Mas alface é uma delícia..!”

 

-          “¬¬ Ridículo.”

 

 

 

Texto:

 

 

Tudo verde. E água.

 

Na vastidão de alfaces daquelas bacias, eu e minha irmã revezávamos o tempo que não tínhamos para admira-los, seca-los, enfim, separa-los das gotas d’água que os amavam em profundo silêncio e joga-los por entre as prateleiras na geladeira vazia, onde esperariam tranqüilos e gelados para servirem de almoço a qualquer um de nós.

 

Como é triste a vida de uma folha de alface! Nasce em pés, não possui braços nem cabeça, orelhas nem tampouco paladar. Traz em suas nervuras e caules o fardo de ser cortada e fazer parte de saladas apetitosas, acompanhada por molhos, tomates, cenouras, pepinos…

 

Por mais infeliz que seja a vida humana, sempre arranjamos consolação para as pequenas e grandes desventuras.

 

Jamais seremos verdes.

 

E, por mais que tentemos, nunca alface.

 

 

(:Ascoltatevi!–> Perdoa, meu amor (Marisa Monte)

September 30, 2008

Encomendaram-me um texto, hoje!

M-E-R-A-V-I-G-L-I-A!!!!!!!

talvez - indagações da caixa verde

September 25, 2008

Bia Mies' arts

No escuro que encerra o interior desta caixa, talvez guardes o que de precioso nos sobrou

Talvez recordações quaisquer como as fotos enegrecidas no estúdio - ou quem sabe aquelas que escondes ao lado de tua cabeceira

Quando repousares, sob o escabelo, este singelo último presente, talvez releies cartas, datas, poesias, canções, estações

Quando olhares no fundo do verde que colore esta caixa talvez sintas saudades do sépia que tornou-se a nossa tão profunda juventude

Talvez, quando desviares o olhar desta caixa, já sejas quem nunca me pertenceu e, quem sabe, um estranho até para a linguagem que já se perdeu com o sopro do tempo

(:Ascoltatevi!–> So sick (NeYo)

Keep always around, Super…

September 18, 2008

Será um pássaro? Será um avião? …

Tutto a me è capitato oggi!

September 12, 2008

Oggi, sono andata in macchina al centro della città per lavoro. Non, io non guidavo la macchina, ero solo uno dei due passeggeri.

La macchina non è nuova e è un po’ rotta. Per accendere il motore è stata una cosa proprio giocosa: il mio capo stringeva due fili che non se univano mai e così la macchina cominciava a fare quello rumore indimenticabile di macchina vecchia. Questo è durato più o meno due minuti, più o meno. Andavamo allora con destino alla Piazza della Republica quando, in mezzo alla Presidente Vargas, è morta. Magari!  Il flusso di automobili era grande, e noi.. Beh, mio capo ha aperto la porta acanto a sé e è uscito della macchina per stringere nuovamente dei fili. Questo è durato più o meno tre minuti ed io che guardavo la scena (ero seduta acanto all’autista), tentavo facere dei fotografie per ridere dopo. Ma, la foto migliore è quella fatta dal mio collega, che qui metto dopo questo testo.

Dopo di questo, quando in fine riuscimo ad arrivare al Palazzo della Piazza della Republica (di numero 22), il mio capo ripara dei fili coll’ausilio del mio stiletto e della mia scoth e lascia le chiavi con me.

- Vado subito a fare un lavoro e ritorno. Aspettatemi qui.

Sì, noi due non l’abbiamo aspettato. Entramo nel Saara e, dopo molto tempo e in mezzo a un sacco di gente, abbiamo incontrato qui? Il mio capo! Ma che coincidenza! Lui non era per stare lì…

Allora, restiamo li, facendo qualche acquisto e caminando.

Dopo, andiamo alla Spiaggia Rossa e, quando mi sono acorta, era già il tempo di trovare una amica per fare un lavoro academico. Ma c`era una fiera di libri con 50% di sconto e, allora, ho comprato un bel libro di architettura per solo R$2,00.

- Bell’acquisto - mi dice la commessa.

Il mio capo dice che mi lasciava alla casa della mia amica, nella regione di Flamengo. Dico la via, il numero, prossimo di dove era e… non l’abiamo trovata!

- Andiamo, capo…

Penso che questo è influenza del giorno 11 settembre.

(Fortuna!  La macchina non è fermata più…)

                                                  Il mio dolce giorno di 11 setembre 2008

(: Ascoltatevi! –> " Lasciatemi cantare colla guitarra in mano/ Lasciatemi cantare solo l’italiano"

trasformazione e cambiamento

September 7, 2008

A poesia de outros tempos é morta. No cintilar do prata que agora habita a mão escultural trancada na porta invisível do meu armário, tem-se o mapa para toda uma memória em sépia, perfumada em breves oscilações entre aroma de desodorante e naftalina. As leves pinceladas de outrora conferem um ar melancólico ao toca-discos que chora as notas tênues e já ilegíveis e inatingíveis de uma lúgubre estória.

Retiro alguns livros da última prateleira da segunda porta.

Chuvas de arabescos e palavras e poesias reinauguram o espaço interno em que sobreviveram os escombros dessa face de vida.

E, sem querer, descubro duas pedras distintas entre o ar e o infinito… 

Mudanças requerem tirar o pó e as tralhas do armário. E de lá não saem apenas roupas ou o que guardamos atrás daquelas portas de madeira envelhecida. Saem traças, mariposas, sentimentalismos vários, recordações, poucas e consistentes lágrimas, alguns sorrisos, alguma doce apreciação. Saem também magias e medos, escuro, solidão.

…Começo a enchergar um pequeno feixe de luz por detrás de um estreito labiríno ao passar daquela curva.

Onde dará esta ilusão certeira?

Onde guardar tanta bagagem?

Domingo, 31 de agosto

September 1, 2008

"Cara, li seu blog. Na moral, é um saco"

Pela primeira vez alguém não fez uma crítica favorável ao S.L.L.L. Talvez uma das mais sinceras e, sinceramente, gostei. A dona destas palavras alegou que eu escrevo, e não apenas delato o que ocorre comigo durante os dias. Em sua memória, hoje - excepcionalmente - assim o farei. Espero que goste, Gina.

É domingo, e amanhã ainda acordarei em minha própria cama. É domingo, e faço o que não gosto há quase 6 horas - plantas. Passiei de "manhã" (acordei depois das 11h) com meus pais, almoçamos sopa de angu, vim fazer estas plantas, entrei na internet, li o Blog do André (saudades), falei com meu sogro (parabéns!) e meu amor (saudades!!), comentei no Blog do Mateus, voltei para a planta, vi a entrevista com Reese Witherspoon no Fantástico (faz anos que não assisto um fantástico por inteiro…), plantas, plantas, plantas!

 

 

(Definitivamente, esse não é o meu modo de escrever…)

(: Ascoltatevi! -> Big girls don’t cry (Fergie)

La pazzia nell’arte del quotidiano mio

August 12, 2008

Fotógrafa, Jornalista, Diretora teatral. Novas características para quem quase não havia nenhuma…

"Todas me dão a exata expressão de olhar que necessito. Ao passo que mais enxergo, talvez, menos veja…"

Sem escrúpulos, torno-me míope moral à medida que mais concentro-me no côncavo de minha luneta.

"É melhor não ver"… Mas, se assim o deseja, tornar-se-á cega, como a inocência de uma criança é cega perante o mundo do homem, maligno.

Que não toquem-me os pés as águas de Letes..! Deixem o armênio com as suas salamandras…

      L'arte in me, che cambia con i diversi sguardi

August 8, 2008

Como parte de toda juventude, a revolução que em mim começou pela idéia frustrada da aplicação de um piercing no lado esquerdo do nariz (um pequeno strass, apenas) agora toma outros rumos. A faculdade que curso agrada-me e não; neste ponto, as revoltas foram tantas e tão confusas que resolvi por abocanhar 1/3 das matérias obrigatórias - e só! - e rumar para outros campi, selecionando disciplinas tais quais Técnica de reportagem, Ética no teatro, Interpretação, Fotografia - que até têm a ver com História da Arte e da Arquitetura III, História da Cidade e do Urbanismo III e Desenho de Observação II. Alguns decretaram-me louca, outros corajosa. A verdade é que não sei bem em qual melhor me encaixo, e talvez, a melhor declaração seja perdida.

                          Cosa volete essere?

 

O melhor de tudo é que perdi todas as aulas da primeira semana. Aluna sempre dedicada, esqueçoagora, de acordar com os gritos de meu celular e não ligo a mínima se passaram lista de presença. Talvez assista a última aula de hoje, sexta-feira, abertura das Olimpíadas chinesas… Ah! semana de trote, quem assiste as aulas? Na que eu fui, o professor não foi ("só semana que vem", informaram-me na sala 618); em outra, troquei quarta por quinta-feira (sendo que havia conferido o horário três vezes).

Não; talvez prefira me decepcionar com a sociedade e reeducar meu olhar com uma luneta mágica em algum canto da faculdade - ou não -, debaixo de uma árvore, degustando uma maçã ou outra fruta qualquer. Talvez mude meu nome para "Simplícia" e, quem sabe assim, descubra o verdadeiro adjetivo para esta fase em que me encontro.

||| Leggete!–> "A Luneta Mágica" (Joaquim Manuel Macedo)

Como se fosse um palco…

July 10, 2008

         Como foco de cena, com canhões de luz e um fundo nobre - silêncio.
         Como monólogo num teatro cheio de cadeiras – vazias.
         Como um ator em laboratório - eterno.
        
         O crepúsculo chegara trazendo o arrastar das horas madrugada sempre mais e mais adentro. O tic-tac do relógio foi silenciado pela ausência de barulho além das janelas. Tudo dormia. Tudo, menos a luminária incansável sob o chão - única fonte de cor num grande salão engolido pelo negro da noite. Ali, entre papéis, lápis, canetas e rascunhos, tentava-se lutar contra os efeitos nocivos da insônia.
E eis que não surge nada. Nem sono, nem inspiração. Nem sono. Nem…

                                                    Zzzz.. .

                                             non dormire... non riuscire... dormire. . .
                                       (Tudo cansa. Até o próprio cansaço.)

June 9, 2008

(Escrevo estas linhas atravessando a Getúlio Vargas, recordando-me da plaquinha de madeira com os dizeres “Tia Trude”, os pirulitos de chocolate, os strudels, o cheiro de biscoito assando…)

 

 

 

O domingo tem cheiro de doce e o odor irradia-se pela praça através de tímidos raios solares. O verde adere-se ao cinzento de fins de outono e à memória de meu passado, enquanto os passantes fulguram fora de foco. Ao fundo, por entre as barracas da feirinha, vejo minha vó.

 

 

 

 

 

Que saudades.

21-25 maggio 2008

May 24, 2008

Gli ultimi giorni festivi prima di questi che sucedono adesso

A mão com que escrevo estas linhas não parece cansada, como o resto do corpo, que também sente na pele o cortar dos 9º C que silenciam a cidade, lá fora. A serra desta vez pintou em mim novos tons pastéis, tão românticos como o cair das folhas no boulevar principal de Friburgo (chamado pelos turistas de canal, o Rio Bengala de meus contemporâneos).

É o último feriado que a minha prancheta improvisada abriga com certa serenidade os afazeres acadêmicos; mas deixemo-os, por hora. São meus últimos dias pré-estágio, o sol das manhãs anima uma corrida pelo Country, minha agenda reserva um espaço para cuidados estéticos, eu me darei tempo de ler alguns livros. Rever amigos, namorar, ficar em casa com a minha família.

Ler jornal, ver novela, passear pelos shoppings, pelas ruas, tomar um suco no Bistrô da Ariosto, degustar um sorvete no Fribourg, fazer nada, unhas, histórias…

Ser soltanto la la la pela última vez em algum tempo

                                                                        ma non troppo.

(: Ascoltatevi!-> Immenso (Andrea Bocelli)

Frustrações ínvias

May 3, 2008

Transcorro passos
Ínvios
Neste mar de sombras
Em que habitam
Todas as
Dúvidas
 
É um  enforcar-se em
Algodão-doce
E um deleitar-se em
Sangue e concreto frio
 
São como lanças de
Aço
Atiradas em direção ao
Seio humano
- Mira que sempre acerta por entre os
Braços
 
É o calar da
Noite
No silenciar da
Mente
 
É o divagar da
Cólera
De alguém
Ausente

29

May 1, 2008

Introdução explicatória (ou tentativa de escrever algo além):

Ontem, ao acordar - atrasada, com o corpo mole e muita chuva lá fora - resolvi por não ir à faculdade. Terminei de ajeitar as coisas na mala, tomei um banho, meu café-da-manhã sempre reforçado e tirei o lixo (duas sacolas, sendo uma de lixo reciclável). Ao abandoná-las na porta e compartimento de transporte vertical de dejetos sólidos em edifícios, deparei-me com uma sacola branca contendo três revistas. Tratavam de moda e estavam em perfeito estado. Como estavam ali, ninguém as queria. Tomei duas para mim.

Voltei ao apartamento, liguei para a Rádio Táxi Niterói e liguei a TV do quarto (a atendente informara-me que o carro chegaria em vinte minutos). Como não conseguira trocar a passagem para Friburgo pelo telefone (o sistema havia caído), resolvi tentar a sorte na Rodoviária mesmo. Eram quase 11h.

O táxi chegou. Depois de algum trânsito e mais chuva, cheguei a estação de embarque intermunicipal da cidade. O próximo ônibus sairia às 13h, fazer o quê, espero. As duas revistas foram, então, de grade auxílio. Em uma delas - edição de fevereiro deste ano - falava sobre a tão em voga pole dancing (aquela da Alzira de Duas Caras, Rede Globo 21h), Le plat du jour, uma receita de almoço florentino, entrevista com MC Catra (que vai candidatar-se a vereador este ano), outra com Thiago Mendonça (o Bernardinho da mesma novela global) - falando sobre preconceitos - e uma nota intitulada "As boas coisas do Rio de Janeiro…", que irei reproduzir aqui:

"- A roda-gigante do Forte de Copacabana, com 36 meros de altura que vai até nove de fevereiro.

-Tomar um delicioso sorvete de baunilha com brigadeiro (brigadeiro mesmo!) da Mil Frutas.

- Aproveitar o fim da tarde na Orla.

-Poder dar "aquele" mergulho, em qualquer praia do Rio, na volta do trabalho e ainda aproveitar o "resto" de sol.

-Frequentar o Care Palace (o recém-inaugurado spa e salão de cabeleireiros) do Copacabana Palace.

-Ter um tórrido romance, mesmo que dure apenas um verão."

O primeiro ponto chamou-me a atenção justamente por ter sido uma das minhas aventuras das férias de verão. O último, por estar acontecendo agora, começo de inverno… 

29

Antes a data representava apenas uma alusão ao meu nascimento, ou - quando muito - simples analogia a música de idêntico título do Legião Urbana. Após o último mês de março, tomou novos contornos, foi meu primeiro dia de Jurisdrama…

(A síndrome talha minhas mãos e cala o que tento expressar. Serei breve, pois).

Hoje, passados um mês e dois dias, a magia dos números que sempre me acompanharam transpõe um "quê" de encantador. E os passos foram dados a dois, fora dos palcos, em ambientes públicos com traços de verdadeiros turistas sem registros fotográficos (o que é uma pena).

Segue abaixo um roteiro, para que aqueles que curtem "as boas coisas do Rio de Janeiro" também possam  usufruir.

                              CCBB/exposilçao OS TRÓPICOS, Arcos da Lapa/ Circo Voador, Bondinho Santa Tereza/Parque das Ruínas, Jardim Botânico, Lagoa Rodrigo de Freitas, Maracanã

(:Ascoltatevi!-> 29 (Legião Urbana)

La mia versone di “Erì piccola così”

April 21, 2008

La lezione era semplice: mettere in ordine alcune disegni e provare ad immaginare come potrebbe essere la storia. Dopo, confrontare con la lettera d’una canzone (qui scritta, dopo il mio racconto):

Era autunno e Laura andava per le srade quando trova un suo amico d’infanzia che non vedeva da molto tempo. Dopo alcune ore di conversazione, lei si è innamorata di lui ed anche a lui secude la stessa cosa. Fanno, allora, un appuntamento per cenare insieme l’altro giorno. In questa cena divenano fidanzati. Tre anni dopo, marito e moglie. Tutto era benìssimo lui le portava la colazione a letto, uscivano insieme ecc. Finché lui ha cominciato a picciarla con molta frequenzia. Lei è diventata malata, infelice. E con questo ha conosciuto Franco, un suo vicino che un giorno, sentendo gridare la donna, ha bussato nella sua porta. Loro hanno cominciato un affare e, quando Pietro, lo marito, ha tentato picciarla nuovamente, lei ha preso una pistola che ha incontrato dentro casa e gli ha sparito.

“T’ho veduta. T’ho seguita. T’ho fermata. T’ho baciata Eri piccola, piccola, piccola. Così. M’hai guardato. Hai taciuto. Ho pensato “beh, son piaciuto”. Eri piccola, piccola, piccola. Così. Poi, è nato il nostro folle amore che ripenso ancora con terrore. M’hai stregato. T’ho cerduta. L’hai voluto, t’ho sposata. Eri piccola, piccola, piccola. Così. T’ho viziata. Coccolata: late, burro, marmellata Eri piccola, piccola, piccola. Così. Che cretino sono sato, anche il gatto m’hai venduto Ma eri piccola. Eh, già. Piccola, piccola. Così. Tu fumavi mille sigarette, io facevo il grano col tresette. Poi un giorno m’hai piantato per un tipo svaporato. T’ho cercato. T’ho scovato. Quattro schaiffi t’ho servito. U m’hai detto “disgraziato”. La pistola m’hai puntato. Eh… Ed un colpo m’hai sparato. Ah, sì. Eh. Spara! Spara! Spara! E pensare che eri piccola, ma piccola, tanto piccola. Così.”

Le due storie sono troppo diverse in tutta l’estrutura dei testi. Questi sono esempi di "isegoria", una parola che ho imparato oggi mentre studiavo la democrazia greca, e che significa "libertà di pensamento, di parole e di critica".

Isegoria

Sono soltanto parole, sto soffrendo della sindrome di Bartleby, e, purtroppo, non sono riuscita ad scrivere molto.

                         

(: Ascoltativi!-> "Passamos por isso" (Camisa de Vênus)

Encontro às avessas

April 11, 2008

Sem me tocar, ao reconhecê-lo, não o cumprimentei. Talvez por pensar "ah, ele não irá lembrar de mim…" ou por sei lá que desculpas dar. O fato é que não o fiz. E isso foge a minha personalidade.

Abel Matos é autor de Outras Cadeias A Cadeia e Crônica de uma Cidade Santificada, ambos os livros comprados por mim numa palestra do curso de teatro Jurisdrama. O primeiro livro está em minhas mãos no exato momento, e não é difícil acreditar que o homem - professor de Português e Literatura da UFRJ - possua olhos tão vazios e distantes quanto os sentimentos por ele vivenciados em seu período de lecionamento através das grades de Bangu III. Que a expressão cansada em seu frontispício seja reflexo de tantas contradições filosóficas adquiridas com a frieza do concreto e do aço aprisionador. Que o seu tamanho diminuto seja, quem sabe, a imagem da opressão do cárcere, e das situações um tanto quanto atípicas para um civil qualquer.

Ainda inconformo-me de não ter cumprimentado o sujeito que assinou "Núbia lembra leveza e carinho. Por isso e mais, a minha admiração", em um dos dois volumes citados.

 

Peço desculpas, caro educador de palavras tão refinadas.

                                                                            (CCBB, 10 de abril de 2008)

 

(:Ascoltatevi!-> "O Tempo não Pára" (Cazuza)

Esboço Modelo Conceitual

April 4, 2008

Vetri, occhi e la trasparenza

Vidro, olhos e transparência…

Considerações acerca dos Estudos Sociais -3.

A sociedade é controlada por usos e costumes, também conhecidos por folkways e mores. Dentro de ambos os conceitos, desenvolvidos em escala coletiva, encontram-se os chamados estereótipos, que nada mais são do que idéias pré-concebidas difundidas por instrumentos sociais. Estes, representados por instituições pessoais e impessoais (família, escola, estado, propaganda, opinião pública e atitudes) influenciam de forma considerável no comportamento humano: fazem de nós complexos espelhos sociais. Se somos, pois, hábitos, atitudes, caráter e valores refletidos de um todo, temos incrustado em nós ideologias, arquétipos e idéias que, ao tomarem uma forma mais complexa e especificações racionais, levam-nos ao ramo da filosofia.

Quando, por algum motivo, essas formas espontâneas de controle social tendem a enfraquecer, entram em ação as instituições constitucionais (leis).

Considerações acerca dos Estudos Sociais -2.

A dinâmica da cidade faz com que os indivíduos sejam necessariamente postos em situações de convívio, que acarretam sentimentos e atitudes interpessoais. De maneira geral, essa interação se dá baseada num processo de ressonância pessoa/pessoa, pessoa/grupo, grupo/grupo. Um grupo não é formado só por um amontoado de pessoas; um grupo são também as atitudes de cada um unidas em sua diversidade.
Esta talvez seja a palavra chave no estudo das sociedades: diversidade. Toda e qualquer relação alicerça-se nas diferenças de um todo, que culminam, por exemplo, na formação de um público (agrupamento em torno de opiniões) e na temporaniedade de uma multidão (unidos por ações afins).
Um indivíduo não vive sozinho, e aqui se expressa a força das interações sociais. Embora isolar-se seja fortalecimento da individualidade – e um processo excludente -, há casos em que distanciamentos não ferem o conceito total de interação social, como a formação de novas culturas e nações. Se um grupo individual separa-se e cria suas próprias características, porém mantem relações quaisquer, como trocas comerciais, então há uma amplificação do processo de convivências. E as relações primárias, secundárias e intermediárias inerentes a todo ser humano desde o seu nascimento acabam por se manterem.

Considerações acerca dos Estudos Sociais -1.

A sociedade é fruto de ações humanas que, não sendo vistas em sua individualidadde e intimidade, geram relações interpessoais. Estas – ligadas a fatores de pressão, históricos e/ ou ideais – levam à necessidade da formação do conceito “ciências sociais” e, consequentemente, do estudo dos comportamentos na sociedade.
         Surgiu, daí, os chamados fatores sociais, imposições que generalizam e adaptam os indivíduos a questões culturais, políticas e econômicas, baseados na ciência, filosofia e prática.
         Sendo assim, e se tratando de estudo, deve-se generalizar os grupamentos humanos e verificar o efeito das coerções que culminarão no critério social. Para isso, é vital a importância dos transcedentes e das repercursões.
         A união das ciências que focam e concluem distintas relações sociais, como econômica, psicológica, filosófica étnica, histórica, política e sociológica, sistematizam, num todo, a posição do homem como criador cultural e do dinamismo social. Ao longo do tempo, é possível concluir algumas características marcantes destas ciências,
         A sociedade é, enfim, fruto apenas da obra humana.

Enfim, liberdade

March 28, 2008

" Vou parabenizar o Zé. Se em três dias ele te deixou deste jeito, imagina o que não fará em um maior tempo!" - confidenciou-me minha produtora hoje pela manhã.

Há tempos não me sentia assim. A proximidade de uma certa data, em tempos passados, atormentava-me de um jeito que impedia-me de pensar em mim. Este ano, no período que vai das 5:30h às 00:00h(hora ativa do meu dia), nem sequer um minuto, o motivo opressor passou pela minha cabeça. Foi só pelas 5:30h da aurora de hoje, que me dei conta:

- Expirou o prazo da minha provisória de motorista.

E como um fantasma de mil anos adormecido - desses que, por tanta falta de uso, desaprendem a assustar - o dia de fim de março desintegrou-se diante do meu olhar ainda sonolento.

Não deu em nada. Aliás, nunca me senti tão radiante.

(Claro que Zé é parte importante da história. Mas o fato de eu ser mais carioca, a cada dia, e mais atriz, a cada dia, e mais feliz, a cada dia, e mais eu mesma, a cada dia, simplesmente, fez com que as lástimas da semana - as 2h de espera na rodoviária na serra, seguida da fila quilométrica para o táxi a 1h da manhã, em Niterói - domingo de páscoa - o sentar desesperado no meio-fio do Projac - segunda -, a perda do celular no ônibus da 1001 - terça -, a chuva e o atraso para o trabalho - quarta - transfigurassem-se em acordar às 9h na quinta, fechar atuação e produção de peça, na quinta, encontrasse e permanecesse com Zé no engarrafamento de mais de 2h na Avenida Brasil, na quinta, passeasse com Zé em Niterói, na quinta, e começasse projetos de faculdade, na quinta - sem contar a proposta de trabalho arquitetônica, mas esta sai do contexto, foi feita na terça-feira. Nunca fui tão sinceramente feliz em toda a vida).

Paredão, túnel - Restos da quarta-feira de Cinzas…

February 12, 2008

1
         A prova era a seguinte: ficar ao sol e depois encarar uma piscina, barra da Tijuca, Rio de Janeiro, sol escaldante e eu, bem, naqueles dias.
A primeira etapa foi tirada de letra; nada além de algum suor sobre o corpo como obstáculo. Já a segunda…
         Imagine: a piscina, devia ter em torno de 1/12 de lotação, os outros 11/12 era de pura água límpida e fresca. Sentada na beirada da piscina, meus pés refrescavam-se enquanto o resto do corpo curtia o vento propiciado pela sombra; até que um maluco dá um brilhante salto ornamental e, tchan-tchan-than-tchan! Não sobra espaço algum seco. Lá vou eu pegar uma cadeira, dessas de plástico branco, e ficar brincando com a ponta dos pés na tão sonhada água. Eu estava no paredão -  como declarou meu tio, e ali ficaria até que Bial desse seu veredicto. Enquanto isso:
 
“Para que Bia seja afogada, disque 0800 000 00 001;
Para que ela desista e vá tomar sol, disque 0800 000 00 002;
Para que a menstruação dela pare, disque 0800 000 00 003; ou mensagem de texto para […]”
 
Ah, se isso dependesse de uma ligação…
 
 
2                 Observação importante: o texto abaixo está repleto de vocábulos socialmente impróprios, chulos, baixos, reles… A explicação é clara: sem eles, perderia o sentido pretendido. Talvez por estar lendo Marcelo Rubens Paiva, a licença poética de “Feliz Ano Velho” tenha subido-me a cabeça.
 
 
-          Ih, vocês vão ter que descer a escada mesmo. Tá sem luz no prédio inteiro.
Estávamos nos despedindo do pessoal, voltaríamos para Friburgo e nossa carona esperava lá em baixo “desçam rápido que tem até bombeiro aqui em baixo”. Da janela do quarto de minha prima dava para ver o mar e os clarões, prenúncio de muita chuva. Estávamos no 13º andar e descer todos aqueles degraus, com malas e sem luz, seria realmente uma grande empreitada. A solução para o último empecilho estava no bolso; meu Nokia 2112 iluminaria o caminho, ou, pelo menos, parte dele. Desci na frente, mala de minha mãe e irmã no ombro direito, celular na mão esquerda, olhos de águia e morcego. Ilumina aqui, ilumina ali, era um mover de músculos custoso. Chegando no térreo, a luz volta – “Baita sorte!” – e ficáramos presas no corredor de elevadores da ala de serviço, a porta para a entrada principal só abria por dentro. Um tumulto, gente sendo tirada dos elevadores, e eu socando a porta – abram, por favor! Conseguimos sair dali, rumamos para o estacionamento do condomínio – “Cadê o Pitty?; Ah, é aquele carro ali, olha o adesivo; Ué, cadê ele??”  Começava a chuva e nada do motorista aparecer. Ele subira, mas que raios! Pingos cada vez mais consistentes, o céu roxo – nem preto era -  a nossa frente, sair da Barra seria difícil, teríamos de parar e esperar em algum lugar. E eram oito horas da noite.

-          ahhhh, vaahhhmoss… Porra, subi varado aquela porra, peguei a escada

errada. Va’mbora, gente. (É, esse educado era o Pitty, meu primo).

         Vale ressaltar que Pitty é um prato cheio para qualquer escritor. Em sua boca, as palavras chulas ganham um quê de hilário, tornando-se impossível resistir a uma boa gargalhada. Ele é uma figura, “figurássa” ímpar.

         Malas no porta mala, Laptop de um amigão dele, motorista, carona e três no banco de trás. Fomos pelo caminho mais longo – Pitty adorava ver o mar, então passar pela Gávea era certo. Só que não contávamos com um engarrafamento sinistro – último dia de férias para a maioria, fim de carnaval, bloco na Lagoa, e ainda a vitória do Fluminense no clássico Fla-Flu do “Maraca”. Em frente à entrada da Rocinha, ficamos praticamente parados dentro do túnel do Joá.

-          Porra, que merda, cara, túnel – pelo pavor, suspeito que  Pitty sofra

de claustrofobia.

-          Não, o pior são esses buracos aí do lado. Dá um medo, imagina sair um

pivete do nada? Tá maluco… – Minha prima piorava a situação.

Pitty ao telefone (as falas em itálico são possíveis falas do inerlocutor):

-          Túnel do Joá, véi

-          Fazendo o quê?

-          Engarrafado. Merda ao cubo, véi. (Risos)

-          Porra…

-          Fudido nos caralho a quatro, véi. (Risos)

-          E quem é que tá com você, cara?

-          Minhas primas.

-          Deve tá muito divertido aí. Elas não param de rir…

-          Pô, se eu falo um “ah” elas riem… (Risos)

(Só uma pequena demonstração de como nós não podíamos com ele).

         Demora.  Pitty dava uns murros no volante e uns gritos, de vez em quando. Quando dava para andar, ele sentava o pé no acelerador. Foi aí que minha prima, viciada em leis de trânsito, placas e afins falou:

-          A máxima permitida aqui é 70km/h.

-          Aonde que eu não vi?

-          Na placa.

-          Ah… Tenho que começar a prestar atenção nessas coisas… (risos, claro)

Saindo de lá, o trânsito começava a fluir, ligeiramente. Frustrado por não ter

pegado a Linha amarela (“Tinha que escolher logo hoje para passear?”), nosso motorista jurava que em Copacabana tudo seria diferente. E foi, só quando alcançamos a Orla.

         Um pouco de trânsito na Ponte, já eram dez da noite.

-          Alguém ta com fome?

-          A gente pára com você, Pitty, sem problemas.

O MC Donald’s depois da entrada de Niterói estava de portas cerradas. “Resta o

Bob’s”. Mais meia hora na fila – era muita gente para apenas 4 funcionários. Banheiro sem água, cappucicnos, chocolate quente e soda limonada para esperar o tempo passar, o caixa não tinha troco para o pagamento de uma Halls de melancia, R$1,10 (nós só tínhamos notas de R$10,00). O caixa pensou, pensou e disse que poderíamos levar, ficando apenas com a moeda de dez centavos. Não achando justo, esquadrinhei meu porta-níqueis e saquei mais R$0,70 centavos. “É tudo o que tenho”. “Sem problemas, brigado”.

         Seguimos estrada a cima, em direção a serra. Adormeci – só para variar um pouquinho. Em duas horas, estávamos em casa.

-          Valeu Pitty, obrigada pela carona. Ahh, e as aventuras!

-          Que isso, gente, quando precisarem.

Esqueci de mencionar que Pitty é daquelas pessoas que levam uma vida muito

monótona. Nunca nada acontece com ele. Uma vez, quando morava no Rio, estava ele sentado na janela, num ônibus em direção a Copacabana.

-          Aqui os ônibus andam muito coladinhos, você sabe – contava ele dentro do

túnel para mim – e não é que o retrovisor do outro ônibus entrou justo na janela em que eu estava ?! Ah, e outra vez, eu estava saindo do metrô, não é a Estação Siqueira Campos, é aquela outra…

-          Arco Verde?

-          É, isso, Arco Verde. Então, estava eu saindo de lá, tranqüilo, indo para casa.

Não é que um biruta colocou a cabeça para fora, num ônibus passando perto e vomitou em cima de mim? Cheguei em casa puto e falei “Nem comenta, véi, nem comenta…”

Intrigações - parte II

Em meio a obras de arte, um grande questionamento:

                     Buco nell'esposizione

Arte contemporânea ou falta de de obras-primas?

2006. Museu de Arte Contemporânea (MAC), Niterói, Rio de Janeiro.

Parênteses

February 8, 2008

(Em função de férias, a parte II do "intrigações" será publicada posteriormente).

Imagine você, sendo agnóstico. Agora, imagine você sendo um principiante estudante de arquitetura.

                                                             […]

Toda a Igreja - ou templo religioso - gera fascínio em sua estrutura e decoração (para os estudantes desse ramo, é claro). Imagine agora você, tendo a oportunidade de presenciar uma cerimônia qualquer na Candelária. A ocasião, no meu caso, foi uma Missa em Ação de Graças aos Formandos do Curso de Odontologia da Universidade Gama Filho. A imponência da Igreja em toda a sua decoração de mármore, com vitrais alemães, colunas coríntias, pinturas e painéis que contam a história da própria Igreja, deixou que, em meio a cerimônia, turistas adentrassem o local e atirassem flashes para todos os lados. Uma verdadeira emoção turística, como a sensação de existir, ali, um museu em movimento.

Não falei que na folha de rosto do panfleto do Rito religioso vinha a expressão-título "Missa Ecumênica". Até o sermão do padre (que tinha a arte de transformar simples palavras como "formandos" em um interessantíssimo For    -     man     -       do      -      s), ninguém tinha se chateado ou questionado tais palavras. Foi quando o mesmo padre duplicou o sentido de seu sermão: disse que para ser uma cerimônia ecumênica, ali deveria estar um pastor ao seu lado, e que a culpa era dos formandos. Tudo bem, ele parecia estar naqueles dias. Relevamos. Ele reclamou da ordem dos rituais, os formandos não haviam consultado a Igreja. Também relevamos, apesar de já estar sendo criado um clima nada agradável para todos os convidados, que vinham "dar graças ao sucesso obtido por aqueles 48 alunos". Foi quando chegou a hora da comunhão.

"Agora que eu percebi que isto não é uma missa" - disse o padre - "Não há Vinho, hóstia, água…". A culpa, meus senhores, claro, era dos formandos. Esta Igreja histórica não tem padre e, portanto, tudo recai sobre os formandos, aqueles que alugaram o templo e que celebravam a nova etapa de suas vidas - pós e mercado de trabalho.

Intrigações - parte I

January 26, 2008

O PERIGO EM SE LER BULAS - quando, por fortes dores de cabeça, você acha que precisa do conteúdo delas:

 

 

 

Bolla 

Depois querem dizer que remédio não assusta…

(:Ascoltatevi!-> Morro do Dendé - BOPE funk

Fumar mata

January 25, 2008

                                

Por detrás da pele murcha, dos dentes frágeis e escurecidos pela nicotina, dos quilos sobressalentes, dos óculos de grau, do cabelo curto e da já chegada terceira idade, Helena fumava escondida, o vício voltara a incomoda-la havia alguns meses. Fora seu cachorro, Adolf, ninguém sabia de seu segredo.
Constantemente  alojava-se na casa de seu afilhado por motivos médicos. Morava numa cidadela de interior, no final de uma estrada de terra batida, possuindo, como vizinhança uma igrejinha, uma estufa desativada e um casebre com total de nove moradores. Seu conforto resumia-se a uma poltrona herdada da avó e um DVD comprado recentemente em 12 prestações com leves juros, além das idas a capital para imprescindíveis check-ups.
Nunca, em momento algum desde que fora proibida pelo estado alarmante de seus pulmões de tragar seus rotineiros três maços, havia se queixado de tal infortúnio. Mas, com o passar dos anos e da proximidade de seu fim inevitável, deixou-se levar pela vontade adormecida em suas veias.
Tragava seu Malboro antes das tais viagens. Sabia que Valter não suportaria revê-la fumando; ademais suas filhas eram alérgicas. Os últimos dois meses transcorreram sem maiores problemas. Foi no terceiro que não teve jeito.
Tomada pelo ímpeto dos viciados, aproveitou-se da presença reduzida de suas queridas sobrinhas-netas e  foi ao banheiro. Com o único fósforo que havia dentro do bolso deu origem a faísca e a fumaça acinzentada - que rapidamente preenchera todo o cômodo. Abriu a janela e ficou a "engolir" o cigarro, porque não há significância mais apropriada para as tragadas velozes que realizava com a  maestria de quem tem anos de pratica. Percebeu então que não podia demorar, as meninas estranhariam. Apagou o fumo, atirou-o pela janela e já ia saindo quando percebeu o fósforo usado sob a pia. Sem pensar, levantou a tampa do vaso sanitário, arremessou-o em seu interior e fechou-a, como se tivesse acabado de urinar. Não deu descarga. Saiu com a cara lavada de inocência, deu um sorriso débil para as garotas e retornou a sala.
Foi quando Nádia, a mais velha, levantou-se  e foi ao banheiro.
-          Bárbara, vem aqui sentir isso!
-          Hum, que cheiro… Cigarro, tá forte, dava para sentir do meu quarto..
-          Queridas, já vou indo..  – Era Helena, que, pressentindo a
descoberta, resolvera sair da casa instantaneamente.
            Não deu nem tempo de segurá-la no elevador. Nádia desmaiara e Bárbara, com acesso de tosse não conseguiu acompanhar os passos da velhinha. Helena descera as escadas. Meia hora depois, a notícia. Um anônimo informava por telefone que uma senhora de 75 anos sofrera um ataque respiratório na rua e não resistira.
         O cheiro invadia os outros cômodos devagar e Bárbara, no final, também caíra desacordada.
         Às 21:15 da noite, quando Valter e suas esposa retornaram, encontraram a casa apagada e silenciosa. As meninas ainda não haviam acordado. O pai fora correndo buscar ajuda. A mãe rumara ao banheiro com uma tremenda dor de barriga.

O fósforo permanecia dentro do vaso, encoberto por toda aquela bosta. Estava fadado a ser uma prova jamais descoberta.

As duas badaldas

January 22, 2008

Foram-se 6 páginas de documento do Word. A noite não prometia ser nada especial, algumas chateações em relação ao programa de inscrições em disciplinas da faculdade. O dia tinha sido carregado de fugas para a fantasia, transformei-me em uma pueril  princesa de contos de fadas em amadoras sessões de foto. Como toda boa realidade contemporânea, coloquei as fotografias no Orkut, intitulando o novo álbum de “Fairy Tales”. Em meio à relatividade do tempo, um príncipe com status “Ausente” corteja-me, e aí se vão longos minutos que, com a ajuda de inspiração, excitação, dúvidas e sonhos (por quê não?!) transformam-se em infindas partículas de tempo eternas.
As músicas que tocam randomicamente no Windows Media Player ampararam o clima de romance, sumindo com um tímido e singelo sapatinho de cristal. “A Nova Cinderela” parece sair da tela da TV e fazer umas alterações no último script. É quando as duas badaladas ecoam madrugada a dentro. A carruagem desfaz-se em abóbora e as vestimentas voltam a ser os velhos trapos de dormir que uso.
A tela do computador cerra seu portal para a fantasia. O travesseiro e o lençol recém trocados sugerem novas folhas brancas para o imaginário.

Real X Virtual – a muralha prateada (divagações ao meio-dia)

January 18, 2008

O que fazia naquele princípio de tarde era, como sempre, ler. Parei por acaso, adormecendo entre as páginas enegrecidas pelo tempo e eternizadas pelas palavras do Prisioneiro do Presidente*. Viajei para lugares de cujos nomes não me lembro e recordei-me de sonhos já vivenciados quando minha mãe veio chamar-me para o almoço. Eu estava sentada em minha cama, voltando de uma corriqueira ida ao espelho para encenar uma coisa qualquer que viera à cabeça. Reparei que, ao pronunciar a palavra FELICIDADE, meus olhos transformaram-se, tornando a íris dos famosos olhos castanhos em um tom prata espelhado que, dilatada, refletia toda a imagem mostrada pelo espelho. Voltei à cama, expondo a minha progenitora a limpidez de meus novos olhos. Concomitante ao não entendimento dela -   e a falta de um papel qualquer – escrevi em minha perna os versos que a inspiração me trouxe em sua célere passagem pelo quarto (os mesmos de cuja autenticidade não me recordo). Enquanto isso, minha mãe fechava as cortinas ao soar de meu nome por um conluiado dessas minhas viagens oníricas. Ela descortinava a conversa que o jovem insistia em iniciar comigo e eu gritava “Faz um rasgo na cortina para que eu possa vê-lo, mamãe!”. Ela balbuciava  algo sobre o almoço e pedia para que eu me apressasse. Rompi a barreira feita no quarto contra a claridade e descobri que aquele menino, de cabelos curtos e alaranjados, queria conversar, sair um pouco e comprar cuecas – desde que voltáramos da última viagem ele estava sem. Respondi que depois do almoço resolveríamos o caso.

A grafite não ajuda minha ineficiência com as palavras. As imagens estão congeladas aqui dentro, refletindo-se no prata daquele olhar virtual. Mamãe continua reclamando de minha demora acrescendo, agora, que a comida já está ficando fria (o que mesmo assim seria um banquete para Skutina…). O livro encontra-se jogado no chão, perdi a página, ponho-o sob a cama e rumo à cozinha. Não vou mais contradizê-la.

* Prisioneiro do Presidente->livro de autoria de Vladmir Skutina 

Parágrafo antagonicamente rotineiro – o que uns óculos novos não fazem

É quinta-feira. Até aqui, nada além de uma oração nominal – e nada além de tédio, a cidade começa a dar sinais de recuperação da população e a rotina friburguense não faz mais que proporcionar algumas crônicas. Acordei cedo, vesti minha malha de Aruba (em tons azul berrante e vermelho), alonguei meus músculos e sai com minha mãe pelo bulevar deste modesto burgo fluminense em direção a uma das 7 maravilhas arquitetônicas da cidade. Cerca de meia-hora de caminhada, meia-hora de corrida, suor à parte – claro. Retornamos a casa. Algumas centenas de abdominais, chá-verde e uma ida a Unimed, trocar o cartão que pela segunda vez acusara erro de leitura (Nada feito, a burocracia do plano de saúde me deixaria sem o mesmo por uns trinta dias). Eu e meu irmão gêmeo acompanhávamos minha mãe ao supermercado e pelo caminho pude constatar que as ruas tornavam-se diferentes. O mundo, visto pela óptica dégradé de meus óculos novos, alegrava-se naquela manhã de rotina. Visto por três nuanças distintas – o escuro, o mais claro e o claríssimo natural (ofuscações solares sem escudo protetor para olhos acostumados ao reflexo e efeito olho-de-tigre* matinais) – o caminho não era tão ruim, ainda que a cópia de sexo invertido continuasse com suas brincadeiras sem graça por todo o percurso.

 

Pela primeira vez em muito tempo a cidade tornou-se atraente.

 

 

 

                        

 

 

 

*Olho-de-tigre-> “gema mineral de estrutura fibrosa e cor predominantemente negra. É manchada pelo óxido de ferro, que lhe confere as peculiares “listras de tigre”.” (Coleção Tesouros da Natureza – Minerais e Pedras Preciosas)

 

O “efeito olho-de-tigre” aqui mencionado pela autora trata-se da modificação de uma cor escura para uma mais clara, o que ocorre com o olho da própria escritora ao expor-se ao sol.